Administração e vereador tentam enfraquecer greve dos professores de Santa Inês

 

Por falta de diálogo, pagamento do reajuste, enquadramento e cumprimento do Plano de Cargos e Salário, o movimento de greve dos professores iniciado na última segunda-feira (28/08) está enfraquecido devido a intervenção de enviados da gestão municipal, que, segundo informações dos grevistas, estaria intimidando parte dos educadores e obrigando os contratados a irem para a sala de aula em algumas escolas.

Por outro lado, os educadores que não abrem de lutar por seus direitos continuam firmes em suas decisões e garantem que só retomarão suas atividades quando tiverem suas pendências junto à Administração Municipal resolvidas.

PROFESSORES DO MAL

Na pauta da sessão realizada nesta sexta-feira (01/09), na Câmara de Vereadores de Santa Inês, a deflagração da greve foi tratada com achincalhe por parte do vereador Pedro Tavares.

O veterano político santainesense, que há anos acompanha a luta dos educadores por melhoria de salários, se pronunciou na tribuna da Câmara, posicionando-se contra a greve. “Tem duas categorias de professores. Os professores que fazem greve e os professores do bem. Abandonar a sala de aula é crime. Sou contra o professor abandonar a sala de aula. As reclamações dos educadores são pequenas”, disse o vereador Pedro Tavares.

Vereador Pedro Tavares

A GREVE

A greve dos educadores da Rede Municipal de Ensino de Santa Inês foi anunciada no dia 24/08, onde eles cobram o pagamento integral do reajuste salarial de 7.64%, referente a este ano e determinado pelo Ministério da Educação (MEC). A decisão foi tomada em assembleia da categoria, diante da postura da prefeita Vianey Bringel (PSDB), denunciada pelos educadores por falta de compromisso e por intransigência no trato com a educação municipal e com os trabalhadores.

DESRESPEITO

A categoria denuncia que a prefeita não cumpriu o compromisso assumido com a coordenação regional do Sinproesemma, quanto ao pagamento integral do reajuste salarial de 7.64%, referente a este ano. A prefeita pagou apenas 4% do reajuste e, até o momento, mesmo com as cobranças da entidade, a gestora se nega a pagar o restante de 3.64% que falta para recompor os salários da categoria.

“Com esse pagamento fatiado a categoria já está no prejuízo porque a nossa data base é no mês de janeiro e ela pagou em junho. De lá pra cá, se nega a pagar o restante que é de 3.64%, que é nosso direito”, pontuou a diretora do núcleo do Sinproesemma em Santa Inês, Antônia Silva.

De acordo com a sindicalista, a prefeita além de não cumprir com o pagamento integral do reajuste salarial, tem sido intransigente quanto aos demais direitos previstos no Plano de Cargos Carreira e Salários dos professores. “A gestora se nega a cumprir com as promoções,  as progressões e não paga as gratificações”, disse.

INSEGURANÇA

Após a situação no município de Zé Doca, quando a prefeita Josinha aprovou um Projeto de Lei com o objetivo de extinguir o Plano de Cargos Carreiras e Salários dos educadores e proibir a criação de sindicatos da categoria, o clima de insegurança e o medo da supressão de direitos também chegaram aos professores de Santa Inês.

Antônia Silva conta que o Sinproesemma local foi notificado, recentemente, pela secretária de Educação do município, Maria do Carmo Gama, que mandou um ofício solicitando retorno de sindicalistas às escolas, com o intuito de esvaziar o sindicato.

“Já convivíamos numa situação de pressão e estresse. Agora, os professores estão com medo porque recebemos um ofício que retira os sindicalistas de dentro do sindicato, sendo que nós somos amparados pelo Estatuto do Educador, que garante a nós o direito de lutar pela categoria dentro do sindicato. Agora eles querem esvaziar a entidade e isso é para enfraquecer a luta da categoria”, denuncia Antônia.

De acordo com o Plano de Cargos, os profissionais têm o direito de compor a entidade sindical, com a liberação de até cinco profissionais. Porém, segundo a diretora do núcleo sindical, a prefeita encaminhou o documento ao sindicato exigindo que, dos cinco sindicalistas, apenas um, fique na entidade: “impedindo os demais de lutar pela categoria, enfraquecendo assim o sindicato e burlando a lei. Um assunto que merece a atenção do Ministério Público”.

TENTATIVA DE ACORDO

Segundo a presidenta do núcleo Sinproesemma no município, Maria Goreth Barros Silva, nesta segunda-feira (4), a prefeita Vianey Bringel ficou de marcar uma data para reunir com a comissão que representa os educadores de Santa Inês e com os representantes do Ministério Público, onde deverão chegar a um acordo para que os professores retomem suas atividades.

 

Com informações: sinproesemma.org.br